Ousar Ser: A Moda como Antídoto à Indústria da Repetição
| Tendências do Fashion Week, por Laís Rodrigues |
Vivemos em uma era de "soldados uniformizados". Sob a influência de algoritmos e "influenciadores de coisa alguma", a sociedade parece ter mergulhado em uma indústria de repetições, onde o modismo dita a regra e a cópia anula a alma. Mas, nas calçadas e passarelas do Rio Fashion Week, essa engrenagem trava. Ali, a moda não é sobre seguir; é sobre ousar ser.
| Jovens Repórteres de Escolas - Por Sandra Barros |
O Antagonismo Necessário de
Karoline Vitto
No epicentro dessa revolução,
destaca-se a estilista catarinense Karoline Vitto. Radicada em Londres, ela
subverte a lógica da moda tradicional que, por décadas, tentou esconder ou
moldar o corpo a padrões irreais. Vitto faz o movimento antagônico: ela abraça
as curvas, usa recortes e aros de metal para emoldurar a pele, celebrando a
diversidade de corpos reais. Seu trabalho é um grito de empoderamento,
reescrevendo a história da moda ao colocar a autoestima no centro da criação.
| Desfile da estilista Karoline Vitto |
O Espetáculo da Diversidade
Genuína
| Por dentro da moda - Ilca Maria Estevão/ Metrópoles |
O Rio Fashion Week é um
organismo vivo de diversidade. É impossível passar pelas ruas e desfiles sem
notar a potência da identidade brasileira:
- Ancestralidade e Estilo:
Homens e mulheres negras esbanjam poder com seus cabelos afros, trançados
e black powers, transformando a estética em resistência e beleza.
- A Idade como Estilo:
Mulheres de 70 anos ou mais, que desafiam o etarismo em saltos altos e
roupas vibrantes, provando que a elegância está alinhada à alma, não ao
RG.
- Liberdade de Expressão: O
estilo crossdresser surge com naturalidade, onde o gênero é apenas
uma fresta para a criatividade.
- O Mix do Real:
Vemos a mistura do jeans com a renda, o esportivo com o social, e até
botas e coturnos desafiando o calor de 35°C. É o triunfo da estética
pessoal sobre a funcionalidade climática; é a afirmação de que "eu
visto o que me representa".
Referência Cultural: A
Identidade Líquida
Como reflete o sociólogo Zygmunt
Bauman, em um mundo de "identidades líquidas", a busca por algo
sólido e autêntico torna-se um ato de rebeldia. O RJFW funciona como esse ponto
de solidez, onde o indivíduo resgata sua essência para não ser apenas mais um
recorte social ou uma peça na engrenagem da cultura de massas.
📚 Glossário: O Pensamento de
Zygmunt Bauman
- Modernidade Líquida: É
o termo que define a nossa época. Ao contrário da "modernidade
sólida" (onde os empregos, casamentos e valores duravam a vida toda),
na fase líquida tudo muda muito rápido. As estruturas sociais não mantêm
sua forma por muito tempo, "derretendo" antes mesmo de se
fixarem.
🧐 Para Refletir na Fresta do Espelho...
💜💛"Se hoje o mundo ficasse sem internet e os algoritmos parassem de sugerir o que você deve vestir, ouvir ou curtir... quem sobraria debaixo dessa 'farda' que você usa? Você está escolhendo sua identidade ou apenas assinando o figurino que alguém desenhou para você?"💜💛
🧩 Livro imperdível, minha recomendação
Enquanto a Identidade Líquida de Bauman fala sobre essa constante mudança que pode nos deixar perdidos, a protagonista Helena (de "O dia em que ESCOLHI SER EU") faz o caminho inverso: ela busca a solidez do autoconhecimento em um mundo que quer mantê-la líquida, moldável e repetitiva. Ela decide "solidificar" quem ela é, mesmo que o mundo ao redor continue derretendo.
🧩 Palavra da Psicopedagoga: A
Aprendizagem da Autoestima
Aprender a ser você mesmo é o
currículo mais difícil que enfrentamos na vida. Do ponto de vista
psicopedagógico, a moda — quando vivida com consciência como no RJFW — funciona
como uma ferramenta de meta-aprendizado.
Quando incentivamos a
curiosidade de olhar para o diferente (corpos reais, cabelos naturais,
estilos disruptivos), estamos estimulando a flexibilidade cognitiva. A criança,
o jovem ou o idoso que percebe que a vida pode ser uma passarela para sua
autenticidade, desenvolve uma segurança emocional que o protege das pressões
externas.
Ter "insights" sobre
como queremos nos apresentar ao mundo é um exercício de
autoconhecimento. Que possamos ensinar nossos alunos e leitores que a
verdadeira inteligência reside na coragem de desaprender as cópias para
finalmente modelar o próprio destino. Ser você é, de fato, o seu maior ato de
rebeldia e sua maior conquista pedagógica.
✍️Escrito por Márcia Marcolim para
o blog Fresta Literária.
❤️"Sua leitura ganha vida quando vira conversa! 💬 Cada mensagem que você deixa aqui é o combustível para a minha criatividade e transforma este blog em uma verdadeira via de mão dupla.
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