quarta-feira, 22 de abril de 2026

Artigo 😁| O Despertar da Identidade no Rio Fashion Week

Ousar Ser: A Moda como Antídoto à Indústria da Repetição

Tendências do Fashion Week, por Laís Rodrigues

Vivemos em uma era de "soldados uniformizados". Sob a influência de algoritmos e "influenciadores de coisa alguma", a sociedade parece ter mergulhado em uma indústria de repetições, onde o modismo dita a regra e a cópia anula a alma. Mas, nas calçadas e passarelas do Rio Fashion Week, essa engrenagem trava. Ali, a moda não é sobre seguir; é sobre ousar ser.

Jovens Repórteres de Escolas - Por Sandra Barros


O Antagonismo Necessário de Karoline Vitto

No epicentro dessa revolução, destaca-se a estilista catarinense Karoline Vitto. Radicada em Londres, ela subverte a lógica da moda tradicional que, por décadas, tentou esconder ou moldar o corpo a padrões irreais. Vitto faz o movimento antagônico: ela abraça as curvas, usa recortes e aros de metal para emoldurar a pele, celebrando a diversidade de corpos reais. Seu trabalho é um grito de empoderamento, reescrevendo a história da moda ao colocar a autoestima no centro da criação.

Desfile da estilista Karoline Vitto


O Espetáculo da Diversidade Genuína

Por dentro da moda - Ilca Maria Estevão/ Metrópoles


O Rio Fashion Week é um organismo vivo de diversidade. É impossível passar pelas ruas e desfiles sem notar a potência da identidade brasileira:

  • Ancestralidade e Estilo: Homens e mulheres negras esbanjam poder com seus cabelos afros, trançados e black powers, transformando a estética em resistência e beleza.
  • A Idade como Estilo: Mulheres de 70 anos ou mais, que desafiam o etarismo em saltos altos e roupas vibrantes, provando que a elegância está alinhada à alma, não ao RG.
  • Liberdade de Expressão: O estilo crossdresser surge com naturalidade, onde o gênero é apenas uma fresta para a criatividade.
  • O Mix do Real: Vemos a mistura do jeans com a renda, o esportivo com o social, e até botas e coturnos desafiando o calor de 35°C. É o triunfo da estética pessoal sobre a funcionalidade climática; é a afirmação de que "eu visto o que me representa".

 

Referência Cultural: A Identidade Líquida

Como reflete o sociólogo Zygmunt Bauman, em um mundo de "identidades líquidas", a busca por algo sólido e autêntico torna-se um ato de rebeldia. O RJFW funciona como esse ponto de solidez, onde o indivíduo resgata sua essência para não ser apenas mais um recorte social ou uma peça na engrenagem da cultura de massas.


📚 Glossário: O Pensamento de Zygmunt Bauman

  • Modernidade Líquida: É o termo que define a nossa época. Ao contrário da "modernidade sólida" (onde os empregos, casamentos e valores duravam a vida toda), na fase líquida tudo muda muito rápido. As estruturas sociais não mantêm sua forma por muito tempo, "derretendo" antes mesmo de se fixarem.


🧐 Para Refletir na Fresta do Espelho...

💜💛"Se hoje o mundo ficasse sem internet e os algoritmos parassem de sugerir o que você deve vestir, ouvir ou curtir... quem sobraria debaixo dessa 'farda' que você usa? Você está escolhendo sua identidade ou apenas assinando o figurino que alguém desenhou para você?"💜💛


🧩 Livro imperdível, minha recomendação

Enquanto a Identidade Líquida de Bauman fala sobre essa constante mudança que pode nos deixar perdidos, a protagonista Helena (de "O dia em que ESCOLHI SER EU") faz o caminho inverso: ela busca a solidez do autoconhecimento em um mundo que quer mantê-la líquida, moldável e repetitiva. Ela decide "solidificar" quem ela é, mesmo que o mundo ao redor continue derretendo. 



🧩 Palavra da Psicopedagoga: A Aprendizagem da Autoestima

Aprender a ser você mesmo é o currículo mais difícil que enfrentamos na vida. Do ponto de vista psicopedagógico, a moda — quando vivida com consciência como no RJFW — funciona como uma ferramenta de meta-aprendizado.

Quando incentivamos a curiosidade de olhar para o diferente (corpos reais, cabelos naturais, estilos disruptivos), estamos estimulando a flexibilidade cognitiva. A criança, o jovem ou o idoso que percebe que a vida pode ser uma passarela para sua autenticidade, desenvolve uma segurança emocional que o protege das pressões externas.

Ter "insights" sobre como queremos nos apresentar ao mundo é um exercício de autoconhecimento. Que possamos ensinar nossos alunos e leitores que a verdadeira inteligência reside na coragem de desaprender as cópias para finalmente modelar o próprio destino. Ser você é, de fato, o seu maior ato de rebeldia e sua maior conquista pedagógica.


✍️Escrito por Márcia Marcolim para o blog Fresta Literária. 


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