"Você
já reparou que, para algumas crianças, a palavra "onda" vira
"oda" e "campo" vira "capo" na hora de escrever?
Isso não é falta de atenção. Na verdade, é um sinal de que a criança ainda está
refinando sua percepção auditiva. Para escrever bem, os ouvidos precisam
estar tão atentos quanto os olhos."
🙂 Artigo - Os Sons Nasais
| 🌊 O nariz também lê: a importância da
percepção auditiva nos sons nasais
O
Som que Vibra: A Magia dos Sons Nasais
Os
sons nasais (representados pelo M, N ou pelo ~) são sons
que "ressonam" na cavidade nasal. Quando a criança não percebe essa
vibração, ela tende a omitir a letra na escrita. É como se, para o ouvido dela,
aquele som fosse invisível.
A
Visão da Especialista: Emília Ferreiro
Quando
falamos em como a criança aprende a escrever, a maior referência é Emília
Ferreiro. Ela revolucionou a educação ao mostrar que a criança não é uma
"folha em branco", mas alguém que cria hipóteses inteligentes
sobre como a escrita funciona.
Para
Ferreiro, a criança passa por níveis de evolução (como o pré-silábico,
silábico e alfabético). Quando ela omite o "N" de "ondas",
ela está em uma fase de transição, tentando entender que um único som pode
mudar completamente o sentido de uma palavra. O papel do adulto não é apenas
corrigir o erro, mas oferecer estímulos para que a criança "descubra"
o som que falta.
Como
Ajudar a Criança a "Sentir" o Som:
1.
A Experiência Sensorial: Como
sugeri na atividade do poema Ondinhas (Livro Poemas Para Brincar de Leitura - Márcia marcolim) leve a mão da criança ao nariz.
Deixe que ela sinta a vibração física. A percepção deixa de ser apenas sonora e
passa a ser tátil.
2.
O Contraste de Pares: Brinque
com palavras que mudam de sentido com o som nasal.
- O
que acontece se eu tirar o som do nariz de MANTO? Vira MATO!
- E
de BENTO? Vira BETO!
3.
A Escuta Atenta: Antes
de cobrar a escrita correta, peça para a criança fechar os olhos e identificar
se o som "sai pela boca" ou "sai pelo nariz".
Conclusão:
Construindo a Escrita com Sentido
A
alfabetização é um processo de descoberta. Quando permitimos que a criança
brinque com os sons, estamos validando o seu processo de pensamento e
ajudando-a a subir mais um degrau na sua evolução de escrita, conforme nos
ensinou Emília Ferreiro.
💚FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artmed, 1999.
🧩 Palavra da Psicopedagoga
A
omissão de letras em sons nasais é uma das "peças" mais comuns que
encontramos no quebra-cabeça da alfabetização. Muitas vezes, o que falta é
apenas a consciência de que aquele som existe. Trabalhar com poemas que trazem
essa sonoridade em evidência, como o "Ondinhas", cria um mapa mental
que facilita muito o registro ortográfico no futuro.
Dica
do blog Fresta Literária:
Faça a brincadeira do "Eco Nasal". Diga uma palavra como Ponte
e peça para a criança repetir apenas o som do ONNNN, sentindo o nariz
vibrar. É um exercício simples, mas que "abre a fresta" para uma
escrita muito mais segura!
✍️
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